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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A Luz que Vem do Bem

 


Era uma vez um menino chamado Lucas, que tinha oito anos e gostava muito de observar o céu antes de dormir.

Todas as noites, ele olhava para as estrelas pela janela e imaginava que, bem lá no alto, existiam muitos Espíritos amigos cuidando dos filhos de Deus.

Certa noite, depois de ouvir uma história sobre anjos e demônios, Lucas ficou pensativo.

— Mamãe, os anjos são muito bons e os demônios são muito maus?

A mãe sorriu e respondeu:

— Na Doutrina Espírita aprendemos que todos somos Espíritos criados por Deus para aprender e evoluir. Os chamados anjos são Espíritos que já alcançaram grande progresso no caminho do bem. E aqueles que muitas vezes são chamados de demônios são Espíritos que ainda não aprenderam a amar e a fazer o bem como poderiam. Mas nenhum filho de Deus está condenado a ser mau para sempre.

Lucas arregalou os olhos.

— Então um Espírito que faz coisas ruins pode aprender a fazer coisas boas?

— Pode, sim. Todos nós podemos aprender. Deus é Pai de todos.

Naquela noite, Lucas se deitou pensando nessas palavras.

Quando estava quase dormindo, percebeu uma suave claridade perto de sua cama. Não era uma luz forte, mas uma luz tranquila, que parecia aquecer seu coração.

Diante dele estava seu anjo da guarda.

Lucas não sentiu medo. Pelo contrário, sentiu uma grande paz.

— Você é meu anjo da guarda? — perguntou.

— Sou um Espírito amigo que procura ajudá-lo em sua caminhada. Estou ao seu lado para inspirá-lo ao bem, mas as escolhas são suas.

Lucas ficou curioso.

— Você pode me impedir de fazer alguma coisa errada?

— Posso aconselhá-lo e inspirá-lo, mas não posso escolher por você. Deus nos deu o livre-arbítrio para aprendermos com nossas escolhas.

Nesse momento, Lucas ouviu uma voz diferente.

— Não precisa ouvir esse anjo! Faça o que quiser! Pense somente em você!

Lucas olhou para o outro lado do quarto. Havia ali um Espírito de aparência triste e expressão contrariada.

O menino se assustou.

— Quem é ele?

Seu anjo da guarda respondeu serenamente:

— É um Espírito que ainda não encontrou a alegria de fazer o bem. Ele tenta influenciá-lo porque também precisa aprender.

O Espírito se aproximou.

— Se você quiser, pode ser egoísta. Pode responder mal quando alguém contrariá-lo. Pode guardar raiva. Pode pensar apenas em você!

Lucas ficou confuso.

Então seu anjo da guarda perguntou:

— E o que você acha que aconteceria se escolhesse esse caminho?

Lucas pensou um pouco.

— Acho que eu deixaria outras pessoas tristes... e também ficaria triste.

— Exatamente — respondeu o anjo. — O mal muitas vezes parece fácil no começo, mas deixa sofrimento no coração. O bem pode exigir esforço, paciência e coragem, mas traz paz.

Lucas olhou para o Espírito triste.

— Você também pode aprender a fazer o bem?

O Espírito ficou em silêncio.

Ninguém havia feito aquela pergunta a ele.

Depois de alguns instantes, respondeu:

— Eu não sei...

Lucas então falou:

— Minha mãe disse que todos podem aprender.

O Espírito abaixou a cabeça.

— Talvez eu tenha esquecido disso.

O anjo da guarda aproximou-se dele.

— Nunca é tarde para começar.

Na manhã seguinte, Lucas acordou lembrando-se do sonho.

Na escola, encontrou seu colega Pedro sentado sozinho no banco do pátio. Alguns meninos estavam rindo porque ele havia derrubado seus lápis.

Lucas quase continuou andando.

Mas lembrou-se da conversa da noite anterior.

Respirou fundo, aproximou-se de Pedro e ajudou-o a recolher os lápis.

— Não fique triste. Eu posso ajudar você.

Pedro sorriu.

— Obrigado, Lucas.

Mais tarde, Lucas percebeu que estava prestes a responder de forma grosseira à professora porque não havia gostado de uma correção.

Por um instante, lembrou-se daquela voz dizendo:

“Faça o que quiser!”

Mas também se lembrou da voz serena do seu anjo:

“Você pode escolher.”

Lucas respirou fundo e respondeu:

— Tudo bem, professora. Vou tentar fazer novamente.

Naquele momento, sentiu uma alegria diferente.

Ele percebeu que seu anjo da guarda não fazia as escolhas por ele.

Ele apenas o ajudava a enxergar o caminho do bem.

À noite, antes de dormir, Lucas olhou novamente para as estrelas.

— Obrigado, meu amigo — disse baixinho.

E sentiu no coração uma doce inspiração:

“Continue escolhendo o bem.”

Lucas fechou os olhos.

Naquela noite, compreendeu algo muito importante:

Os anjos não são seres criados diferentes de nós. São Espíritos que caminharam muito mais no caminho do amor e da sabedoria.

E aqueles que ainda praticam o mal não são filhos perdidos de Deus. São irmãos que ainda precisam aprender.

O bem é uma escolha que podemos fazer todos os dias.

E cada pequena escolha de amor, perdão, amizade, honestidade e caridade é como uma pequena luz que acendemos dentro de nós.

Porque, no caminho de Deus, ninguém precisa permanecer na escuridão para sempre.

Todos podemos aprender a brilhar.

Carlos Pereira - O Manancialzinho 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Parábola dos dois lobos

 










Conta-se que um velho sábio conversava com seu neto sobre a vida.

— Dentro de cada pessoa — disse ele — existe uma batalha.

O menino ficou curioso.

— Que batalha, avô?

O ancião respondeu:

— É uma luta entre dois lobos que vivem dentro de nós.

— Dois lobos?

— Sim. Um deles representa o bem. Ele é bondade, amor, compaixão, paciência, humildade, perdão, verdade e esperança.

O menino escutava atentamente.

— E o outro lobo representa o mal. Ele é a raiva, o orgulho, a inveja, o egoísmo, a mentira, o ressentimento, a crueldade e o desejo de fazer o outro sofrer.

O menino permaneceu em silêncio por alguns instantes e então perguntou:

— E qual dos dois lobos vence?

O velho sábio sorriu e respondeu:

— Aquele que você alimentar.

Conto Cherokee 

Uma reflexão à luz da Doutrina Espírita

Essa pequena história pode servir como uma bela introdução a um ensinamento espírita: o bem e o mal não são forças equivalentes disputando eternamente o domínio do ser humano.

Na visão espírita, o Espírito é criado simples e ignorante e caminha progressivamente para a perfeição. O mal está relacionado ao afastamento das leis divinas, enquanto o bem corresponde à sua observância e ao desenvolvimento das virtudes.

Por isso, a pergunta mais profunda talvez não seja apenas:

“O que é o bem e o que é o mal?”

Mas também:

“Que pensamentos, sentimentos e atitudes estou alimentando dentro de mim?”

Cada escolha cotidiana pode fortalecer uma tendência ou outra. Quando alimentamos o egoísmo, a intolerância e o ressentimento, damos espaço a essas imperfeições. Quando cultivamos a caridade, o perdão, a fraternidade e o amor, fortalecemos em nós aquilo que nos aproxima do bem.

E há ainda um ensinamento muito consolador: ninguém está condenado a permanecer no mal. Para a Doutrina Espírita, o progresso é destino de todos os Espíritos. Mesmo aquele que hoje erra poderá, através das experiências e do esforço de renovação, aprender a escolher o bem.

Assim, o verdadeiro combate não é contra uma pessoa que consideramos “má”, mas contra as próprias imperfeições que ainda carregamos.

Essa reflexão combina especialmente bem com a ideia espírita de que o bem deve ser uma escolha consciente, cultivada todos os dias.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O saco de batatas

 














Certo dia, um mestre perguntou aos seus discípulos:

— Por quanto tempo vocês conseguem carregar uma mágoa?

Os discípulos ficaram em silêncio.

Então o mestre pediu que cada um trouxesse um saco e algumas batatas.

— Para cada pessoa que vocês ainda não conseguiram perdoar — explicou — escrevam o nome dela em uma batata e coloquem-na dentro do saco.

Os discípulos fizeram o que o mestre pediu.

Alguns colocaram poucas batatas. Outros encheram seus sacos.

— Agora — disse o mestre — carreguem esse saco para onde forem durante uma semana. Levem-no ao trabalho, às refeições e aos seus momentos de descanso.

No início, os discípulos acharam aquilo curioso.

Mas, depois de alguns dias, o saco começou a incomodá-los. As batatas tornavam-se pesadas, o cheiro começava a incomodar e carregar aquele peso para todos os lugares se tornava cansativo.

Ao final da semana, o mestre reuniu novamente os discípulos.

— Como foi carregar o saco?

— Muito pesado, mestre — responderam.

Então ele disse:

— Assim também acontece com as mágoas. Quando nos recusamos a perdoar, carregamos conosco pessoas e acontecimentos que já deveriam ter ficado para trás.

Apontando para os sacos, continuou:

— Aquele que vocês desejavam punir talvez nem soubesse do peso que vocês estavam carregando. Mas vocês o carregaram todos os dias.

Um dos discípulos perguntou:

— Então devemos simplesmente esquecer aquilo que nos fizeram?

O mestre respondeu:

— Não. Perdoar não significa dizer que o mal foi correto. Significa decidir que não continuaremos pagando por ele todos os dias dentro de nós.

E concluiu:

“A mágoa é como um peso que colocamos no próprio bolso para lembrar que alguém nos feriu. Com o tempo, esquecemos quem colocou a peso, mas continuamos sentindo seu incômodo.”

Então o mestre pediu que abrissem os sacos e retirassem as batatas.

— Libertem-se do peso — disse ele. — Não para absolver o erro do outro, mas para devolver a vocês mesmos a liberdade de seguir em frente.

 O ensinamento

Guardar mágoa é continuar carregando aquilo que nos feriu. Perdoar é deixar de carregar esse peso.

Contos filosóficos 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A Serpente e o Vagalume

 












Numa noite silenciosa, um pequeno vagalume cruzava o céu, iluminando a escuridão com sua luz delicada. Seu brilho não era intenso, mas suficiente para tornar o caminho mais bonito por onde passava.

Escondida entre as pedras, uma serpente observava cada movimento do vagalume. Incomodada com aquela luz, decidiu persegui-lo.

O vagalume voou o mais rápido que conseguiu. Passou por árvores, atravessou riachos, desviou de galhos e folhas. A serpente continuava logo atrás, determinada a alcançá-lo.

Depois de muito fugir, exausto, o vagalume pousou sobre um galho e disse:

— Antes que você me ataque, permita-me fazer uma única pergunta.

A serpente assentiu.

— Eu pertenço a sua cadeia alimentar?

— Não.

— Eu lhe causei algum mal?

— Nunca.

— Então por que insiste tanto em me destruir?

A serpente olhou para o pequeno inseto e respondeu:

— Porque não consigo suportar o seu brilho.

Naquele instante, o vagalume compreendeu que havia batalhas que não nasciam do ódio, da justiça ou da necessidade, mas da incapacidade de algumas pessoas de aceitar a luz que existe nos outros.

Reflexão

A inveja raramente se revela com sinceridade. Ela costuma vestir-se de críticas, ataques, desprezo ou tentativas de diminuir quem se destaca. O problema nunca foi o brilho do vagalume; foi a escuridão que a serpente carregava dentro de si.

Essa metáfora nos ensina que, muitas vezes, quando alguém tenta apagar a nossa luz, isso diz mais sobre os conflitos dessa pessoa do que sobre nós. A melhor resposta não é deixar de brilhar para agradar quem se incomoda, mas continuar iluminando o caminho com humildade, sem permitir que a inveja dos outros determine quem somos.

Quem vive apenas comparando a própria vida com a dos demais perde a oportunidade de descobrir e desenvolver a sua própria luz.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Reforma do Coração de Lucas

 










Lucas era um menino muito alegre e adorava ir à evangelização espírita todos os domingos. Certo dia, sua evangelizadora, tia Helena, levou uma caixa com ferramentas de brinquedo para a sala.

— Hoje vamos falar sobre a reforma íntima! — anunciou ela.

As crianças ficaram curiosas.

— Assim como uma casa precisa de consertos para ficar mais bonita e segura, nosso coração também pode ser melhorado. A reforma íntima acontece quando procuramos corrigir nossos defeitos e fortalecer nossas virtudes.

Lucas prestou bastante atenção. Ele percebeu que às vezes ficava bravo quando perdia nas brincadeiras e não gostava de dividir seus brinquedos.

Ao final da aula, tia Helena pediu:

— Durante esta semana, escolham uma atitude que gostariam de melhorar e tentem praticar o bem todos os dias.

Lucas decidiu aceitar o desafio.

Na segunda-feira, durante o recreio, seu amigo Pedro pediu para brincar com a bola que ele havia levado. Lucas sentiu vontade de dizer "não", mas lembrou-se da aula.

— Claro, Pedro! Vamos brincar juntos! — respondeu sorrindo.

No dia seguinte, uma colega esbarrou sem querer nele e derrubou seus lápis. Lucas ficou irritado por um instante, mas respirou fundo e pensou: "Estou reformando meu coração."

Então ajudou a colega a recolher os lápis.

— Desculpe, Lucas! — disse ela.

— Tudo bem. Foi sem querer.

A cada dia, Lucas tentava ser mais paciente, gentil e compreensivo. Nem sempre era fácil, mas ele continuava tentando.

Quando chegou o domingo, voltou à evangelização e contou suas experiências.

— Descobri que a reforma íntima é como cuidar de um jardim — disse Lucas. — Quando tiramos as ervas daninhas da raiva, do egoísmo e da impaciência, as flores da bondade, da amizade e do amor podem crescer.

Tia Helena sorriu feliz.

— Exatamente! Jesus nos ensinou que podemos melhorar um pouquinho a cada dia. O importante é nunca desistir de sermos pessoas melhores.

Lucas voltou para casa muito contente. Agora ele sabia que a verdadeira reforma não acontecia nas paredes de uma casa, mas dentro do coração, onde nascem os pensamentos, os sentimentos e as atitudes que espalham amor por onde passamos.

Moral da história: A reforma íntima acontece quando nos esforçamos diariamente para vencer nossos defeitos e cultivar as virtudes ensinadas por Jesus. Pequenas mudanças de hoje constroem um coração cada vez mais iluminado. ✨💛

Carlos Pereira

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A Pequena Luz e o Jardim das Estrelas

 











Em um lindo jardim do mundo espiritual, existiam milhares de pequenas luzes brilhantes. Cada luz representava um Espírito em aprendizado. Algumas brilhavam intensamente como estrelas douradas; outras ainda tinham um brilho fraquinho, como vagalumes cansados.

No centro do jardim morava o sábio jardineiro Anselmo, que cuidava de todas elas com muito carinho. Todos os dias ele distribuía as mesmas sementes luminosas para cada pequena luz.

— Essas sementes são oportunidades de crescer — explicava ele. — Todas recebem a mesma quantidade. O que fará diferença é o que cada um decidir cultivar.

Entre as pequenas luzes havia três amigas: Clara, Dourinha e Nino.

Clara pegava suas sementes e logo começava a plantá-las. Regava com bondade, paciência e vontade de aprender. Quando errava, não desanimava; tentava novamente.

Dourinha também queria brilhar, mas às vezes dizia:

— Amanhã eu cuido disso...

E deixava suas sementes esquecidas pelos cantos do jardim.

Já Nino passava o tempo observando o brilho dos outros e reclamando:

— Não é justo! Alguns nasceram mais iluminados!

O velho Anselmo sorria com doçura e respondia:

— Todos começaram pequeninos. O brilho cresce com o esforço e as escolhas de cada Espírito.

Os dias foram passando. Clara começou a iluminar flores inteiras ao seu redor. Sua luz aquecia os amigos tristes e ajudava quem não encontrava o caminho.

Dourinha percebeu que suas sementes quase não haviam crescido. Então decidiu mudar. Passou a cuidar delas com dedicação, e pouco a pouco sua luz aumentou também.

Nino, curioso, perguntou:

— Então ninguém recebe privilégios?

Anselmo respondeu:

— Deus ama todos igualmente. Ele oferece oportunidades para cada filho aprender e evoluir. Mas a caminhada depende da vontade de cada um.

Nino ficou pensativo. Naquela noite, pela primeira vez, plantou uma sementinha com carinho.

E o jardim inteiro percebeu algo especial: sua luz, ainda pequena, havia começado a crescer.

Conclusão 

Deus dá a todos as oportunidades de aprender e melhorar. Mas o crescimento espiritual é uma conquista que depende das escolhas, do esforço e da vontade de cada um.

Por Carlos Pereira 

terça-feira, 19 de maio de 2026

A Moeda Brilhante de Sofia

 




















Era uma vez uma menina chamada Sofia, que adorava ajudar sua mãe na pequena feira do bairro. Todos os sábados, ela organizava as frutas, sorria para os clientes e aprendia coisas importantes sobre a vida.

Certa manhã, enquanto varria o chão perto da barraca, Sofia encontrou uma moeda muito brilhante.

— Uau! — disse ela, pegando a moeda. — Com isso eu poderia comprar um doce enorme!

Ela olhou para os lados. Ninguém parecia ter visto a moeda cair.

Mas, naquele instante, Sofia lembrou-se das lições da evangelização espírita. A tia Clara sempre dizia:

— A honestidade ilumina o coração como uma luz que nunca se apaga.

Sofia segurou a moeda com força. Seu coração ficou dividido. Uma parte queria ficar com ela. Outra parte dizia que o certo era procurar o dono.

Então ela respirou fundo e decidiu perguntar às pessoas da feira.

— Alguém perdeu uma moeda? — perguntou educadamente.

Depois de algum tempo, um senhorzinho chamado Seu Antônio aproximou-se preocupado.

— Ah! Eu perdi uma moeda que guardava para comprar pão — disse ele. — Ela tinha um risquinho de estrela de um lado.

Sofia olhou a moeda. E lá estava o pequeno desenho de estrela.

— É esta aqui! — disse ela, entregando a moeda.

Os olhos do senhor se encheram de alegria.

— Muito obrigado, minha filha. Você foi muito honesta.

Naquele momento, Sofia sentiu algo melhor do que ganhar qualquer doce: sentiu o coração leve e feliz.

Quando chegou a noite, durante a prece, Sofia contou o que aconteceu. Sua mãe sorriu e disse:

— Quando fazemos o bem e escolhemos a verdade, nossa luz interior cresce.

Sofia dormiu tranquila, imaginando que cada atitude honesta acendia uma estrelinha dentro do coração.

E, desde aquele dia, ela entendeu que ser honesto é fazer o certo mesmo quando ninguém está olhando.

Moral da história

A honestidade é uma forma de amor e respeito ao próximo. Quando somos honestos, nosso coração fica em paz e nossa luz interior brilha mais forte.


Por Carlos Pereira 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A Recusa do Buda

 










Certa vez, o Buda estava   com seus discípulos quando um homem se aproximou, visivelmente irritado, e começou a insultá-lo com palavras duras e ofensivas.

O Buda permaneceu em silêncio, ouvindo calmamente cada palavra, sem demonstrar raiva ou perturbação.

Quando o homem terminou, o Buda perguntou-lhe com serenidade:

— Diga-me, se uma pessoa oferece um presente a outra, e essa outra não o aceita, a quem pertence o presente?

O homem, ainda tomado pela emoção, respondeu:

— Pertence a quem o ofereceu.

Então o Buda disse:

— O mesmo acontece com sua raiva, seus insultos e suas palavras duras. Eu não os aceito. Eles continuam sendo seus.

O homem ficou surpreso e, diante da tranquilidade do Buda, envergonhou-se. A serenidade daquele que não se deixa atingir pelo mal revelou-lhe a inutilidade de sua própria atitude.

Essa parábola ilustra com clareza a ideia de que só somos afetados pelo que escolhemos acolher. É um convite à serenidade, ao domínio de si e à liberdade interior.

Parábola budista

domingo, 19 de abril de 2026

O Pequeno Farol de Luz

 











Em uma pequena vila cercada por árvores altas e flores coloridas, vivia um menino chamado Lucas. Ele era curioso, esperto… mas às vezes pensava mais em si mesmo do que nos outros.

Um dia, ao voltar da escola, Lucas encontrou uma senhora sentada na calçada. Ela parecia cansada e segurava várias sacolas pesadas. Lucas pensou em ajudar… mas logo disse para si mesmo:

— “Estou com pressa, depois alguém ajuda.”

E foi embora.

Naquela noite, Lucas teve um sonho diferente. Ele estava em um lugar iluminado, cheio de estrelas suaves, e encontrou um senhor de olhar bondoso.

— Quem é você? — perguntou Lucas.

— Sou apenas um amigo — respondeu o senhor com um sorriso tranquilo. — Vim te mostrar algo importante: a Lei de Amor e Caridade.

Com um gesto leve, o cenário mudou. Lucas viu a mesma senhora da calçada… mas agora ninguém a ajudava. Ela parecia cada vez mais cansada.

— Cada oportunidade de ajudar — explicou o senhor — é como acender uma pequena luz no mundo.

Então, outra cena apareceu. Desta vez, Lucas via a si mesmo ajudando a senhora. O rosto dela se iluminava com gratidão, e ao redor surgiam pequenas luzes brilhantes, como vagalumes.

— Essas luzes… são reais? — perguntou Lucas, encantado.

— São as boas ações — respondeu o amigo. — No ensinamento espírita, aprendemos que o amor e a caridade são caminhos para evoluir. Cada gesto sincero melhora não só o mundo, mas também o espírito de quem pratica.

Lucas ficou pensativo.

— Então… quando eu ajudo alguém, eu também cresço por dentro?

— Exatamente. A caridade não é só dar coisas. É oferecer tempo, atenção, respeito… é agir com amor

Na manhã seguinte, Lucas acordou diferente. No caminho para a escola, viu um colega sozinho no canto do pátio. Em vez de ignorar, foi até ele.

— Quer jogar comigo?

O colega sorriu, surpreso.

Mais tarde, ao voltar para casa, Lucas encontrou novamente a senhora com sacolas. Desta vez, não hesitou.

— Posso ajudar?

Ela aceitou, agradecida. E Lucas, mesmo sem ver, sentiu como se pequenas luzes acendessem ao seu redor.

Com o tempo, Lucas percebeu que essas “luzes” apareciam sempre que ele agia com bondade. E entendeu algo muito importante:

Que a Lei de Amor e Caridade não era só uma regra…

Era um jeito de viver.

E, pouco a pouco, aquele menino se tornou um verdadeiro farol de luz na vida das pessoas ao seu redor.

Carlos Pereira 

terça-feira, 24 de março de 2026

As Palavras que Brilham

 

Era domingo de manhã no centro espírita Luz do Caminho. As crianças da evangelização infantil estavam reunidas em uma sala cheia de desenhos, livros e um grande cartaz escrito: “Fora da caridade não há salvação.”

A evangelizadora, Tia Helena, sorriu para o grupo.

— Hoje vamos falar sobre o poder das palavras.

Entre as crianças estavam Lucas, Marina, Pedro e Sofia. Todos eram curiosos e gostavam muito das histórias que aprendiam sobre Jesus e sobre os ensinamentos da doutrina espírita.

Tia Helena pegou uma pequena caixinha de papel e colocou no centro da roda.

— Imaginem — disse ela — que cada palavra que falamos é como uma sementinha. Algumas sementes fazem nascer flores lindas… mas outras podem virar espinhos.

As crianças ficaram pensativas.

O teste das palavras

No recreio, Lucas e Pedro estavam montando um castelo de blocos. Marina queria brincar também.

— Posso ajudar? — perguntou ela.

Pedro respondeu meio irritado:

— Não! Você sempre estraga tudo!

Marina ficou triste e sentou-se num canto. Sofia percebeu e lembrou da história das sementinhas.

Ela se aproximou de Pedro e falou com calma:

— Pedro, lembra do que Tia Helena falou? Nossas palavras podem virar flores… ou espinhos.

Pedro olhou para Marina, que estava com os olhos cheios de lágrimas. Naquele momento ele percebeu que suas palavras tinham sido como espinhos.

Ele respirou fundo e foi até ela.

— Marina… me desculpa. Eu falei sem pensar. Você quer ajudar a construir o castelo?

O rosto de Marina se iluminou como se o sol tivesse aparecido dentro da sala.

— Quero sim!

Logo os três estavam construindo juntos, e o castelo ficou ainda mais bonito.

A lição da evangelização

Quando voltaram para a roda, Tia Helena perguntou:

— Alguém percebeu como usamos as palavras hoje?

Sofia levantou a mão e contou o que aconteceu.

Tia Helena explicou:

— A doutrina espírita nos ensina que nossos pensamentos e palavras são energias. Quando falamos com bondade, espalhamos luz. Quando falamos com raiva, espalhamos tristeza.

Lucas perguntou:

— Então nossas palavras também ajudam os espíritos bons?

— Sim — respondeu Tia Helena. — Quando falamos com amor, os bons espíritos se aproximam e ajudam a manter a paz.

Pedro levantou a mão:

— Hoje eu falei palavras com espinhos… mas depois tentei plantar flores.

Tia Helena sorriu.

— E isso é muito importante! Todos nós estamos aprendendo. O importante é sempre escolher palavras que façam o bem.

O combinado das crianças

Antes de ir embora, as crianças fizeram um combinado:

Sempre que fossem falar com alguém, perguntariam a si mesmas:

“Minha palavra vai machucar… ou vai ajudar?”

E assim, domingo após domingo, aquelas crianças foram aprendendo que as palavras também podem ser um ato de caridade.

Porque, como ensinou Jesus e recorda a doutrina espírita:

Uma palavra de amor pode iluminar o coração de alguém.

Carlos Pereira