Conta-se que um velho sábio conversava com seu neto sobre a vida.
— Dentro de cada pessoa — disse ele — existe uma batalha.
O menino ficou curioso.
— Que batalha, avô?
O ancião respondeu:
— É uma luta entre dois lobos que vivem dentro de nós.
— Dois lobos?
— Sim. Um deles representa o bem. Ele é bondade, amor, compaixão, paciência, humildade, perdão, verdade e esperança.
O menino escutava atentamente.
— E o outro lobo representa o mal. Ele é a raiva, o orgulho, a inveja, o egoísmo, a mentira, o ressentimento, a crueldade e o desejo de fazer o outro sofrer.
O menino permaneceu em silêncio por alguns instantes e então perguntou:
— E qual dos dois lobos vence?
O velho sábio sorriu e respondeu:
— Aquele que você alimentar.
Conto Cherokee
Uma reflexão à luz da Doutrina Espírita
Essa pequena história pode servir como uma bela introdução a um ensinamento espírita: o bem e o mal não são forças equivalentes disputando eternamente o domínio do ser humano.
Na visão espírita, o Espírito é criado simples e ignorante e caminha progressivamente para a perfeição. O mal está relacionado ao afastamento das leis divinas, enquanto o bem corresponde à sua observância e ao desenvolvimento das virtudes.
Por isso, a pergunta mais profunda talvez não seja apenas:
“O que é o bem e o que é o mal?”
Mas também:
“Que pensamentos, sentimentos e atitudes estou alimentando dentro de mim?”
Cada escolha cotidiana pode fortalecer uma tendência ou outra. Quando alimentamos o egoísmo, a intolerância e o ressentimento, damos espaço a essas imperfeições. Quando cultivamos a caridade, o perdão, a fraternidade e o amor, fortalecemos em nós aquilo que nos aproxima do bem.
E há ainda um ensinamento muito consolador: ninguém está condenado a permanecer no mal. Para a Doutrina Espírita, o progresso é destino de todos os Espíritos. Mesmo aquele que hoje erra poderá, através das experiências e do esforço de renovação, aprender a escolher o bem.
Assim, o verdadeiro combate não é contra uma pessoa que consideramos “má”, mas contra as próprias imperfeições que ainda carregamos.
Essa reflexão combina especialmente bem com a ideia espírita de que o bem deve ser uma escolha consciente, cultivada todos os dias.

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