terça-feira, 22 de setembro de 2026

Parábola dos dois lobos

 










Conta-se que um velho sábio conversava com seu neto sobre a vida.

— Dentro de cada pessoa — disse ele — existe uma batalha.

O menino ficou curioso.

— Que batalha, avô?

O ancião respondeu:

— É uma luta entre dois lobos que vivem dentro de nós.

— Dois lobos?

— Sim. Um deles representa o bem. Ele é bondade, amor, compaixão, paciência, humildade, perdão, verdade e esperança.

O menino escutava atentamente.

— E o outro lobo representa o mal. Ele é a raiva, o orgulho, a inveja, o egoísmo, a mentira, o ressentimento, a crueldade e o desejo de fazer o outro sofrer.

O menino permaneceu em silêncio por alguns instantes e então perguntou:

— E qual dos dois lobos vence?

O velho sábio sorriu e respondeu:

— Aquele que você alimentar.

Conto Cherokee 

Uma reflexão à luz da Doutrina Espírita

Essa pequena história pode servir como uma bela introdução a um ensinamento espírita: o bem e o mal não são forças equivalentes disputando eternamente o domínio do ser humano.

Na visão espírita, o Espírito é criado simples e ignorante e caminha progressivamente para a perfeição. O mal está relacionado ao afastamento das leis divinas, enquanto o bem corresponde à sua observância e ao desenvolvimento das virtudes.

Por isso, a pergunta mais profunda talvez não seja apenas:

“O que é o bem e o que é o mal?”

Mas também:

“Que pensamentos, sentimentos e atitudes estou alimentando dentro de mim?”

Cada escolha cotidiana pode fortalecer uma tendência ou outra. Quando alimentamos o egoísmo, a intolerância e o ressentimento, damos espaço a essas imperfeições. Quando cultivamos a caridade, o perdão, a fraternidade e o amor, fortalecemos em nós aquilo que nos aproxima do bem.

E há ainda um ensinamento muito consolador: ninguém está condenado a permanecer no mal. Para a Doutrina Espírita, o progresso é destino de todos os Espíritos. Mesmo aquele que hoje erra poderá, através das experiências e do esforço de renovação, aprender a escolher o bem.

Assim, o verdadeiro combate não é contra uma pessoa que consideramos “má”, mas contra as próprias imperfeições que ainda carregamos.

Essa reflexão combina especialmente bem com a ideia espírita de que o bem deve ser uma escolha consciente, cultivada todos os dias.

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