Uma viagem para compreender o mundo espiritual
Você já ouviu falar em anjos e demônios?
Muitas histórias apresentam os anjos como seres que vivem no céu, com asas, e os demônios como criaturas assustadoras que querem fazer o mal. Mas será que é assim que a Doutrina Espírita ensina?
Allan Kardec estudou esse assunto em O Livro dos Espíritos e apresentou ensinamentos que nos ajudam a compreender melhor a vida espiritual.
Para o Espiritismo, Deus é o Criador de tudo o que existe e é infinitamente bom, justo e perfeito. Todos os Espíritos foram criados por Deus e todos possuem a mesma origem: são filhos de Deus e estão destinados a progredir.
Isso significa que ninguém foi criado para ser mau para sempre.
Existem anjos?
Sim, podemos falar em anjos quando nos referimos a Espíritos que já alcançaram um elevado grau de evolução.
Na questão 128 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta aos Espíritos:
“Os seres que chamamos anjos, arcanjos e serafins formam uma categoria especial, de natureza diferente dos outros Espíritos?”
E os Espíritos respondem:
“Não; são os Espíritos puros: os que se acham no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições.”
Que ensinamento bonito!
Segundo o Espiritismo, um anjo não é um ser criado diferente dos demais. É um Espírito que já percorreu um longo caminho de evolução e alcançou grande perfeição.
Assim como uma criança cresce, aprende, estuda e desenvolve novas capacidades, o Espírito também aprende e cresce espiritualmente.
Mas existe uma diferença muito importante: a evolução do Espírito é muito mais ampla e continua durante muitas experiências.
Então todos podemos chegar a esse estado?
Sim.
Esse é um dos ensinamentos mais consoladores da Doutrina Espírita.
Deus não cria alguns Espíritos para serem bons e outros para serem maus. Todos começam sua caminhada evolutiva em condições semelhantes e, através do aprendizado, do esforço e das experiências, vão desenvolvendo suas qualidades.
Por isso, podemos pensar:
“Eu ainda não sou perfeito, mas posso aprender a ser melhor.”
E isso vale para todas as pessoas.
Quem hoje tem dificuldade para controlar a raiva pode aprender a ter mais paciência.
Quem ainda não sabe perdoar pode aprender a perdoar.
Quem pensa muito em si mesmo pode aprender a compartilhar.
Quem costuma responder com palavras duras pode aprender a falar com carinho.
Cada pequena mudança para o bem representa um passo em nossa evolução espiritual.
E os demônios?
Aqui encontramos outro ensinamento importante.
A Doutrina Espírita não apresenta os demônios como seres criados eternamente para praticar o mal.
Se Deus é infinitamente justo e bom, não faria sentido criar Espíritos destinados ao sofrimento e ao mal para sempre.
Na visão espírita, existem Espíritos que ainda apresentam imperfeições, paixões, egoísmo, orgulho, raiva ou desejos de fazer o mal. Eles ainda não compreenderam ou não aceitaram plenamente as leis de amor e justiça.
Mas continuam sendo Espíritos em processo de evolução.
Isso significa que aquele que hoje pratica o mal não está condenado a ser mau para sempre.
Ele poderá aprender, arrepender-se, reparar seus erros e modificar-se.
O mal é uma escolha?
O Espiritismo ensina que o Espírito possui livre-arbítrio.
Isso quer dizer que podemos escolher nossas ações.
Podemos escolher ajudar ou ignorar alguém.
Podemos escolher dizer a verdade ou mentir.
Podemos escolher perdoar ou alimentar a raiva.
Podemos escolher compartilhar ou guardar tudo somente para nós.
Quando escolhemos o bem, desenvolvemos boas qualidades em nosso Espírito.
Quando escolhemos o mal, criamos consequências para nós mesmos e precisamos aprender com elas.
Por isso, ninguém pode dizer:
“Eu sou mau e nunca vou mudar.”
Também não devemos pensar:
“Essa pessoa é um demônio e não tem jeito.”
Todos somos Espíritos em aprendizado.
Alguns estão mais adiantados; outros ainda precisam aprender muitas coisas.
O que são, então, os Espíritos bons e os Espíritos imperfeitos?
Podemos imaginar a evolução espiritual como uma grande escola.
Há alunos que já aprenderam muitas lições e outros que ainda estão começando.
Os Espíritos bons são aqueles que já desenvolveram importantes qualidades morais. Procuram praticar o bem, ajudar, compreender, perdoar e respeitar as leis de Deus.
Os Espíritos imperfeitos ainda possuem muitas dificuldades. Podem deixar-se levar pelo orgulho, pelo egoísmo, pela inveja, pela raiva ou por outros sentimentos inferiores.
Mas eles também podem aprender.
Assim como uma criança que erra uma conta na escola pode aprender a fazê-la corretamente, o Espírito que erra também pode aprender com seus erros.
Devemos ter medo dos Espíritos?
Não devemos viver com medo do mundo espiritual.
A Doutrina Espírita nos ensina que devemos procurar o bem, a oração, os bons pensamentos e as boas atitudes.
Também nos ensina a usar o nosso discernimento.
Se uma criança sente medo de histórias sobre demônios, pode lembrar:
Deus é maior do que qualquer dificuldade.
O melhor modo de enfrentar pensamentos e influências negativas é cultivar o bem.
Uma criança que aprende a ser gentil, honesta, paciente, responsável e amorosa está fortalecendo dentro de si boas qualidades.
E os anjos podem nos ajudar?
Sim.
Os bons Espíritos podem auxiliar aqueles que procuram o bem.
Eles podem inspirar bons pensamentos, fortalecer-nos diante das dificuldades e ajudar-nos em nossa caminhada.
Mas isso não significa que eles farão tudo por nós.
Um bom Espírito pode inspirar uma criança a ajudar um colega, mas a criança precisa decidir se vai ajudar.
Pode inspirar alguém a pedir desculpas, mas a pessoa precisa tomar a atitude.
Pode inspirar-nos a ter paciência, mas somos nós que precisamos escolher controlar a nossa irritação.
Os bons Espíritos nos auxiliam, mas respeitam nosso livre-arbítrio.
Como podemos escolher o bem?
Escolher o bem não significa nunca errar.
Todos nós podemos errar.
Escolher o bem significa procurar melhorar.
Podemos começar com atitudes simples:
ajudar alguém que precisa;
dividir nossos brinquedos;
respeitar nossos pais, professores e colegas;
não fazer bullying;
evitar apelidos que machuquem;
falar a verdade;
pedir desculpas quando errarmos;
perdoar;
cuidar dos animais e da natureza;
evitar pensamentos de vingança;
fazer uma prece por quem está sofrendo;
agradecer pelas coisas boas que recebemos.
São atitudes pequenas, mas muito importantes para nossa evolução espiritual.
O verdadeiro combate
Quando ouvimos falar em “bem contra o mal”, podemos imaginar uma grande batalha entre anjos e demônios.
Mas podemos compreender esse ensinamento de uma maneira ainda mais próxima de nossa vida.
Todos os dias acontece uma pequena batalha dentro de nós.
Às vezes pensamos:
“Vou responder com raiva!”
E outra voz dentro de nós parece dizer:
“Calma. Podemos conversar sem machucar.”
Às vezes pensamos:
“Vou esconder o brinquedo para ninguém brincar.”
E podemos lembrar:
“Posso compartilhar.”
Às vezes pensamos:
“Ele me fez mal, então vou fazer o mesmo com ele.”
E podemos escolher:
“Não quero aumentar o mal. Vou procurar perdoar.”
Cada vez que escolhemos uma atitude melhor, estamos dando um passo na direção do bem.
Uma mensagem para guardar no coração
A Doutrina Espírita nos apresenta uma ideia muito bonita:
ninguém está condenado a permanecer imperfeito para sempre.
Os Espíritos que já alcançaram grande evolução são exemplos do que todos nós podemos alcançar.
Os chamados “anjos” não são seres criados diferentes de nós: são Espíritos que chegaram a um elevado grau de perfeição.
E aqueles que ainda praticam o mal não são criaturas eternamente más. São Espíritos que ainda precisam aprender e evoluir.
Por isso, não precisamos ter medo dos “demônios”.
Precisamos, principalmente, cuidar de nossas próprias escolhas.
Quando sentimos raiva, podemos escolher a calma.
Quando sentimos vontade de prejudicar alguém, podemos escolher ajudar.
Quando erramos, podemos escolher aprender.
Quando alguém precisa de nós, podemos escolher amar.
Para pensar
Se todos os Espíritos podem evoluir, o que eu posso fazer hoje para me tornar um pouquinho melhor do que fui ontem?
Talvez seja uma pequena atitude:
um pedido de desculpas,
um gesto de carinho,
uma ajuda,
um perdão,
uma palavra amiga,
ou simplesmente escolher fazer o bem quando ninguém está olhando.
Cada boa escolha é uma sementinha de luz que plantamos em nosso coração.
E, pouco a pouco, através do aprendizado e do amor, todos nós caminhamos para a perfeição.
Para lembrar
Anjos: Espíritos que alcançaram elevado grau de evolução e perfeição.
“Demônios”: não são seres criados eternamente para o mal; podemos compreender essa ideia, à luz do Espiritismo, em relação aos Espíritos ainda imperfeitos, que precisam aprender e evoluir.
Bem: aquilo que está de acordo com as leis de Deus, especialmente o amor, a justiça e a caridade.
Mal: o afastamento dessas leis, pelo uso inadequado do livre-arbítrio.
Nossa tarefa: aprender, melhorar e escolher o bem cada dia.
Mensagem final:
Deus criou todos os Espíritos para evoluírem. Alguns já caminharam muito; outros ainda estão começando. O importante é não desistirmos de nossa própria transformação.
Carlos Pereira - O Manancialzinho

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