terça-feira, 23 de junho de 2020

Família – Usina de Amor













Os pais são executivos muito requisitados, sempre envolvidos com reuniões, atividades sociais, congressos pelo mundo.

Quase nunca estagiam em casa, onde mais parecem visitantes que entram e saem a horas certas.

Dessa forma, dificilmente conseguiam estar junto aos dois filhos, no decorrer dos dias.

A adolescente se ressentia dessas ausências, enquanto o pequeno parecia administrar um pouco melhor a carência.

A babá e a doméstica eram as pessoas mais próximas a eles.

Foi quando se anunciou o inesperado.

Um vírus se espalhou pelo mundo e a pandemia se instalou.

Por questões de colaboração, quanto de preservação da própria vida, a quarentena se impôs.

Os auxiliares domésticos entraram em férias, considerando que também deveriam permanecer em isolamento social.

Pai e mãe ficaram em casa. Foram canceladas reuniões presenciais, viagens para congressos internacionais, as ausências diárias.

A rotina da casa foi totalmente alterada.

Foi quando as surpresas começaram a aparecer, com as sequentes admirações mútuas.

Mãe, você sabe cozinhar. Acho que nunca comi uma comida tão gostosa.

Olha só o papai varrendo o quintal. Pensei que ele nem soubesse segurar uma vassoura.

Filha, conseguiu colocar a roupa na máquina sozinha?

Filhote, que linda ficou a prateleira dos calçados!

Mais encantado ficava o pequeno quando a mãe se punha a passar roupas. Aquilo era mesmo algo bem diferente.

E vieram os filmes com pipoca, os doces e bolos que preparavam juntos.

Também o estudo das matérias escolares acompanhados pelos pais.

As revelações de amor e carinho ficaram intensas e significativas:

Pai, sempre amei você, mas agora aprendi a admirar você.

Não sabia que você pudesse ser tão legal em casa e nas brincadeiras.

Mãe, agora vi que você também faz o que fazem as mães dos meus amigos.

Sempre tive orgulho da executiva que você é. Agora descobri que você é uma mãe muito especial.

As surpresas se desdobraram, no transcorrer dos dias e das semanas. Pais e filhos se descobriram como criaturas que tinham muito a ser apreciado e valorizado.

*   *   *

A família é um ninho de amor, de reconstruções impensáveis.

Ao conceber a família, Deus nos presenteou com um espaço de construção pessoal, que tem a função de enriquecer a sociedade à qual pertencemos.

Quando o carinho, o amor, a amizade, o respeito aos direitos e limites acontece dentro do lar, esses valores automaticamente passam a integrar a sociedade.

Por isso, é sempre útil cultivarmos esses momentos de crescimento entre nossos amores mais próximos, pois o que nesse ninho construímos será para sempre vivenciado.

Construções de amor espalharão amor.

Construções de solidariedade espalharão solidariedade.

Construções de respeito, amizade e lealdade darão seus frutos no momento certo.

E, se ao convívio, aos processos educativos, associarmos as bênçãos do Evangelho, o lar se transformará em luz, traçando roteiro seguro para todos!

Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Poema Iluminado








Sonhei que estava um dia

Num mundo todo encantado

Voava sobre um livro

Num céu de dourado pintado

 

De cima eu via as casinhas

Pequenos assobradados

Jardins com flores tão belas

Arranha-céus prateados

 

Em meu caminho as nuvens

Levadas ao vento evado

Desenhavam um zigue-zague

Num doce e terno bailado

 

Seguia a minha viagem

Menino entusiasmado

Quando notei que do livro

As letras haviam soltado

Enchendo o céu, qual estrelas,

Compondo um poema iluminado.

Amara Luzia

Por Carlos Pereira