Há muitos séculos, em um reino distante do Oriente, vivia um jardineiro chamado Lin, que cuidava dos jardins do palácio imperial. Era um homem simples, de poucas palavras, mas conhecido por sua sabedoria e por compreender os segredos da natureza.
Certa manhã, o imperador ordenou que Lin preparasse o mais belo jardim de todo o reino. Deveria haver flores de todas as cores, árvores majestosas e perfumes capazes de encantar qualquer visitante.
Lin trabalhou durante meses. Plantou rosas vermelhas, lírios brancos, jasmins perfumados e orquídeas raras. No centro do jardim, crescia uma magnífica roseira, cujas flores eram tão belas que todos os visitantes paravam para admirá-las.
Ao lado dela, quase escondida entre as pedras, crescia uma pequena flor branca. Era delicada, simples e não possuía perfume intenso. Poucos reparavam em sua presença.
A pequena flor observava a roseira com tristeza.
— Como gostaria de ser tão bela quanto você! — lamentava-se. — Todos admiram suas pétalas, enquanto ninguém sequer olha para mim. A vida foi muito generosa com você e muito injusta comigo.
A roseira, que não era orgulhosa, respondeu gentilmente:
— Não conheço os motivos pelos quais nascemos diferentes. Apenas procuro florescer com aquilo que recebi da natureza.
Mas a pequena flor não se conformava.
Todos os dias, ao ver os visitantes elogiando a roseira, sentia crescer dentro de si um sentimento amargo. Já não desejava apenas ser bonita: queria que a roseira deixasse de ser admirada.
Certa noite, enquanto o jardim dormia sob a luz da lua, a pequena flor fez um pedido silencioso:
— Quem dera que amanhã a roseira não tivesse mais nenhuma pétala!
Na manhã seguinte, uma forte tempestade atravessou o jardim. O vento sacudiu os galhos, a chuva castigou as flores e muitas pétalas vermelhas foram levadas pelo chão.
Quando o sol nasceu, a roseira estava abatida. Suas flores haviam perdido parte da beleza, e seus galhos pendiam tristemente.
A pequena flor branca sentiu uma alegria secreta.
— Finalmente! Agora talvez alguém me admire!
Entretanto, para sua surpresa, ninguém apareceu para elogiá-la. Os visitantes que chegaram ao jardim ficaram preocupados com os estragos da tempestade. O jardineiro cuidou da roseira, retirou as pétalas danificadas e amparou seus galhos.
Lin percebeu, então, que a pequena flor também havia sido atingida. Um de seus caules estava dobrado, e suas raízes começavam a ficar expostas.
Com delicadeza, ele se ajoelhou, protegeu suas raízes com terra fresca e colocou uma pequena estaca para sustentá-la.
A flor ficou espantada.
— Por que você está cuidando de mim? — perguntou, como se pudesse ser ouvida pelo sábio jardineiro. — Sou tão pequena e insignificante! Você deveria dedicar todo o seu tempo à roseira, que é muito mais bonita.
Como se conhecesse os pensamentos daquela flor, Lin murmurou:
— No jardim, cada planta tem seu valor. A roseira encanta os olhos, o jasmim perfuma o ar, a árvore oferece sombra e a pequena flor embeleza discretamente o caminho. A natureza não precisa que uma seja destruída para que outra tenha seu lugar.
A pequena flor ficou em silêncio.
Pela primeira vez, percebeu que havia desejado a tristeza da roseira apenas porque sofria ao contemplar sua beleza.
Naquele instante, compreendeu uma verdade dolorosa: enquanto se preocupava em ser melhor do que a outra flor, havia deixado de perceber a beleza que existia em si mesma.
Os dias passaram. Com os cuidados de Lin, a roseira recuperou sua força e voltou a florescer. A pequena flor branca também se ergueu, e suas pétalas, banhadas pelo orvalho, brilhavam sob a luz do amanhecer.
Certa manhã, uma criança que passeava pelo jardim percebeu a pequena flor.
— Veja, vovô! Que florzinha delicada! Parece uma estrelinha caída na terra!
A criança se ajoelhou para observá-la e sorriu. Depois, correu até a roseira e também admirou suas flores vermelhas.
A pequena flor compreendeu, então, que havia espaço para a beleza de ambas.
A roseira não precisava perder suas pétalas para que ela pudesse ser apreciada. E ela não precisava tornar-se uma rosa para merecer existir.
Naquela manhã, o jardineiro Lin encontrou a pequena flor erguida em direção ao sol. Suas pétalas estavam abertas, como se ela finalmente tivesse aprendido a receber a luz sem desejar apagar o brilho de ninguém.
O sábio sorriu e disse:
— Aquele que inveja o jardim alheio passa a vida inteira esquecendo-se de cultivar o próprio. Mas aquele que cuida do que recebeu descobre que a felicidade não está em superar todos os outros, e sim em florescer com dignidade.
E assim, naquele antigo jardim imperial, uma pequena flor ensinou uma grande lição: a inveja nasce quando medimos nosso valor pela felicidade alheia; a sabedoria começa quando aprendemos a reconhecer nosso próprio valor e a alegrar-nos com o bem dos outros.
Carlos Pereira

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