Miguel era um menino que adorava plantar sementes. No quintal de sua casa, ele cuidava de um pequeno jardim onde cresciam flores coloridas, cheirosas e alegres. Mas havia um cantinho onde nada florescia. A terra parecia dura, seca e triste.
Um dia, Miguel perguntou ao seu avô:
— Vovô, por que esse pedaço do meu jardim nunca cresce?
O avô se agachou ao lado dele e respondeu:
— Porque esse pedacinho precisa de algo especial: cuidado por dentro e por fora. Assim como nós, Miguel. Às vezes, o coração da gente também tem um cantinho que precisa de atenção.
Miguel franziu a testa.
— E como eu cuido desse cantinho do coração?
O avô sorriu.
— Com a religião, meu neto. Ela é como uma chuva suave que cai sobre a nossa alma. Ensina a amar, a perdoar, a entender a vida e a sentir Deus perto de nós. Quando aprendemos sobre Jesus, sobre o bem e sobre o amor ao próximo, nosso coração fica mais macio, mais fértil.
Miguel olhou para o pedaço seco do jardim.
— Então a religião é como a água que faz a semente acordar?
— Exatamente — disse o avô. — A religião, na visão espírita, nos lembra que somos espíritos em crescimento. Ela nos ajuda a entender por que estamos aqui, de onde viemos e para onde vamos. E quando compreendemos isso, tudo dentro de nós floresce com mais força.
Naquela noite, Miguel sonhou que caminhava por um grande jardim. Algumas plantas estavam tristes, outras fortes, outras começando a brotar. Um espírito luminoso apareceu e disse:
— Cada flor é um sentimento seu. A religião é o sol que te ajuda a cuidar delas.
Quando acordou, Miguel correu para o quintal. Pegou o regador, soltou um suspiro profundo e começou a molhar o cantinho seco.
— Vou cuidar desse pedacinho como cuido do meu coração — disse ele.
Com o passar dos dias, pequenas folhas começaram a surgir. Miguel ficou encantado.
— Vovô! Está nascendo! — gritou ele.
O avô abraçou o menino.
— Viu como a vida responde quando a gente cuida dela com amor? Assim também acontece dentro de nós. Quando alimentamos nosso espírito com fé, estudo, oração e bondade, tudo floresce.
Miguel sorriu, sentindo que algo dentro dele também estava brotando.
E desde então, sempre que via uma nova flor nascer, ele lembravava:
a religião é o cuidado que damos ao jardim da alma.
Carlos Pereira

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